CPI sobre gastos da Comunicação estadual acirra debates no Plenário

Em 05/08/2025
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A criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar indícios de irregularidades em contratos publicitários firmados pelo Governo do Estado gerou embates na reunião plenária desta terça. O requerimento, de autoria de Dani Portela, do PSOL, assinado por mais 18 parlamentares, foi deferido pelo presidente do Poder Legislativo, Álvaro Porto, do PSDB. A parlamentar relatou ter recebido denúncias de empresas que participaram do certame, alegando direcionamento ou conflito de interesses envolvendo familiares da governadora. O pedido de investigação aponta, especificamente, o contrato de R$ 1,2 bilhão com a empresa E3 Comunicação Integrada Ltda, de São Paulo, que venceu a concorrência. “Nos comprometemos com o povo de Pernambuco para  fazer um trabalho de fiscalização bastante sério, e é isso que estamos dispostos a fazer. E convido o conjunto desta Casa a integrar e compor essa comissão. E que tudo seja apurado com muita transparência. Afinal, é de dinheiro público que estamos falando.”  

Rodrigo Farias, do PSB, também se posicionou sobre a CPI. “O que a gente está querendo aqui é simplesmente investigar um possível ato de corrupção em uma licitação bilionária. Nós estamos falando de R$ 1,2 bilhão, em um contrato de uma extensão nunca na história de Pernambuco vista, por dez anos, onde afastou as empresas pernambucanas de participarem do certame.”

Débora Almeida, do PSDB, discordou da motivação para a CPI, dizendo não haver “fato determinado” para tal. Ela pediu que o presidente da Alepe reconsidere a decisão. “O documento está mais para um apanhado genérico de acusações do que para a indicação objetiva de um fato grave ou específico.”

Líder do Governo, Socorro Pimentel, do União, discordou da postura de alguns parlamentares e fez um chamamento à responsabilidade. “Se vocês quiserem antecipar esse debate, nós iremos antecipar todas as vezes. Porque não é possível essa Casa aqui estar atestando um golpe, uma puxada no tapetão da governadora. A gente não pode se calar diante dessa injustiça.”

Socorro Pimentel ainda comemorou o início do credenciamento do serviço de cardiologia e hemodinâmica do Hospital e Maternidade Santa Maria, em Araripina, no Sertão do Araripe.

Luciano Duque, do Solidariedade, celebrou a entrega de obras estruturadoras para o Sertão, além de anunciar a construção do Hospital Materno-Infantil e de um Centro de reabilitação física, auditiva, intelectual e visual, ambos em Serra Talhada, no Sertão do Pajeú.

Delegada Gleide Ângelo, do PSB, questionou o Governo do Estado acerca de investimentos na área de segurança para as mulheres. Segundo ela, há 8,4 milhões de reais disponíveis, que não foram utilizados.

Edson Vieira, do União, fez um apelo ao Governo do Estado pela requalificação da rodovia PE-130. Segundo o parlamentar, a estrada precisa de melhorias para garantir o escoamento da produção e fomentar o turismo local. Romero Albuquerque, do União, fez uma série de críticas ao Governo Raquel Lyra. O parlamentar manifestou preocupação com o desempenho da economia de Pernambuco. Conforme destacou, o PIB do Estado estaria em queda e, segundo índices atribuídos ao Banco do Nordeste, teria ficado atrás do Ceará e, até mesmo, da Paraíba.

Rosa Amorim, do PT, criticou a manifestação em prol do ex-presidente Bolsonaro, realizada na Avenida Boa Viagem, no último domingo. A deputada repudiou a presença de parlamentares no protesto e afirmou que muitos deputados têm postura entreguista diante das tarifas impostas ao Brasil pelo presidente Trump. A petista também repercutiu a prisão domiciliar de Bolsonaro. “Que isso sirva de lição: Nenhum golpista está acima da lei e nenhum traidor vai se livrar da justiça.”

Coronel Alberto Feitosa, do PL, criticou a prisão domiciliar. Para o deputado, as sanções aplicadas são resultado de uma “postura doentia de perseguição” ao ex-presidente. “Dezessete palavras foram suficientes para levar um ex-presidente da República à prisão domiciliar. E as 17 palavras foram as seguintes: ‘boa tarde, Copacabana! Boa tarde, meu Brasil. Um abraço a todos. É pela nossa liberdade. Estamos juntos.’”

Doriel Barros, do PT, criticou o pronunciamento de Coronel Alberto Feitosa. Para o petista, o fato concreto é que o ex-presidente será julgado por tentar um golpe de Estado e vai responder pelas manobras de seus aliados junto aos Estados Unidos. Na mesma linha, Waldemar Borges, do PSB, ressaltou a gravidade das ações de Bolsonaro e a necessidade de punição para os envolvidos. “Me chama atenção quando se diz que o senhor Bolsonaro não roubou, não matou, nunca traficou. Bom, se nunca matou pessoalmente, ele tentou através de um atentado que foi apurado não por Alexandre de Moraes, mas pelo próprio Exército, explodir um armazenamento d’água que certamente significaria a morte de muita gente.

Borges ainda fez um apelo ao Governo do Estado em favor dos servidores da Apevisa, Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária. Segundo o parlamentar, a atual gestão não está pagando uma gratificação em reconhecimento a complexidade, o risco e as especificidades do trabalho.

O deputado João Paulo, do PT, repercutiu a carta do Coletivo Judeus e Judias pela Democracia em Pernambuco. No texto, o grupo apoia as falas do petista sobre o conflito e a crise humanitária em Gaza, afirmando o direito à autodeterminação do povo palestino e necessidade de reparações pelos abusos históricos.